A boca fala do que o coração tá cheio

terça-feira, 27 de maio de 2014

Santa Ansiedade

Santa ansiedade
Sinto muito ter um dia
Desejado livrar-me de ti

Perdoa-me a arrogância
Do ignóbil pensamento
Que dia-a-dia seduzia-me
Na pueril tentativa
De afastar do meu peito
Tua faca sufocante

Hoje sei que és fiel
E que não descansará
Até que tenha operado
Todo seu gracioso propósito
Mais do que aceitar-te
Confesso que te amo

Enquanto inspiro teu carinho
Tu inspiras meu caminho
E enquanto esvazio meu pulmão
Expiro gratidão


Reconhecendo que a boa terra
 Aonde hás de conduzir-me
Jamais seria alcançada
Sem tua afiada lança


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Batalha das águas


Arco de prata no céu
A barca desliza sorrateira
Nas sinuosas águas
Do colo da sereia

A noite é escura
O reflexo encanta a atmosfera
E o caboclo guerreiro se concentra
Para mais uma jornada

Travessia longa 
Atravessada por mistérios mil
Sustos com tamanha natureza
Encontros de todos os tipos
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Mas no bailado do rio
A balsa balança 
Já prenunciando ao velho índio
O bálsamo que há de vir

Na luz da folha verde
E na força do cipó
Avança como serpente cintilante
De rubros olhos inflamados

Rasteja e se enrosca
Com intrépida prudência
Girando e mirando
O animado inimigo

Até que num gesto incandescente
Impulsionado pelo germe da vida
Assoprado é como labareda
Num flamejante bote purifica-dor

Basta! Basta!
Vencido está o gigante das águas
Chamuscado e tornado em cinzas
Já não pode mais reinar

Gratidão nobre amigo
A terra está à vista
E o galo já cantou
Vem raiando o novo dia







terça-feira, 20 de maio de 2014

Fogo Sagrado



Debaixo do sol
Firmado na terra
Sigo só
Nunca sozinho

Injustiçada foi a solidão
Jamais compreendida
Pela angústia cotidiana
Que faz da vida distração

Senda justa
Repleta de mistérios
Descortinados generosamente
A cada entrega

Eis o caminho
Eis a vida
Bem acompanhado
Aceito meus espinhos

Na força do Axé
O caboclo bate o pé
Acordando tudo o que existe
Para assistir o amanhecer

Fragmentos se unem
Discernidos são os propósitos
Seriedade e perseverança
Serão minhas companheiras

E aliado à sobriedade que exige o existir
Com reverência prossigo
Diante do tão sagrado fogo
 Que conduz o caçador





domingo, 30 de março de 2014

Nadando mudo na mudança do nada



O nada é estranho
Presença infinita
De uma ausência que não falta
Embebida em preciosos tons

O nada é cheio
O nada geme
Aperta
Suspira

O nada vai
O nada dói
Esvazia
Esvai

O nada vibra
O nada morre
A morte vive
E tudo é bom

O nada muda
O nada passa
O mar acalma
E já não é

O nada transmuta
O nada rasga
Acolhe o conflito
E lança Luz

O nada é graça
Martelo necessário
Sempre a desconstruir
Quem precisa ir



domingo, 9 de março de 2014

Foda a vitória dos garis. Mas, só um pouco!




Diante do que se tem observado no Rio de Janeiro nos últimos anos, por intermédio da maior quadrilha política que já conseguimos sustentar desde que Estácio de Sá resolveu nos dar o ar de sua graça, não se pode negar que o feito dos profissionais da limpeza foi um ato heroico e que, certamente, nos deixa uma série de lições. Sim, pra quem vive com oitocentos contos por mês, passar a ganhar mil e cem reais faz toda a diferença!

Além do mais, transpondo o materialismo que geralmente circunscreve as demandas trabalhistas numa sociedade que decidiu eleger o trabalho assalariado como a única e/ou a melhor forma de (sobre) vivência, onde houver um pouquinho de sensibilidade, há de se concordar que o que os garis fizeram foi bonito demais.

Quem me conhece pelo menos um pouco sabe que tenho críticas profundas à escola e ao sistema de educação. Contudo, não posso negar que durante todo o período em que lá estive, tive a oportunidade de aprender coisas valiosíssimas. Extracurriculares, é claro. Estudei em Colégio Militar e, num ambiente repleto de normas e idiossincrasias, aprendi desde cedo, por força da necessidade, um princípio de vida que carrego comigo até hoje: se todo mundo fizer, não dá merda para ninguém!

E isso os garis entenderam. Entenderam e mostraram que uma vontade uníssona é capaz de subverter poderes e mover montanhas. Acreditaram e viram o milagre. Ou, se a sua religião tiver uma estética mais laica, pode-se dizer que, seguindo o curso da simplicidade da vida, conseguiram exatamente tudo o que quiseram. Nem mais, nem menos.

Mas, diante dessa tamanha força manipulada com maestria por gente que historicamente tem suas vidas vampirizadas pelo poder público, uma pergunta – a mais óbvia – não pode deixar de ser feita: o que fez com que os garis, diferentemente dos professores, médicos, bombeiros e até mesmo dos policiais (vale lembrar que, apesar de coibir violentamente a greve dos outros, há exatos 2 anos, as polícias também ensaiaram uma tentativa de greve), saíssem dessa greve percebendo-se como vitoriosos?

Creio firmemente que, muito mais do que o ganho salarial em si, a principal vitória dos garis foi em termos de autoestima. A opção pela greve em pleno carnaval surgiu, inicialmente, como forma de pressionar o governo, mas, muito mais do que isso, o que eles conseguiram, de forma consciente ou por uma conspiração do universo – particularmente, confesso que tendo a preferir as conspirações do universo às nossas muitas razões –, foi a libertação do parasitismo ideológico dos partidos e da obsoleta organização política tradicional. Intencionalmente ou não, a coisa ficou fina.

Com os quadros dos partidos de classe média –  que, geralmente,  percebem a si mesmos como proletários com consciências superiores – imersos na irresistível folia carioca, o povo, finalmente, sem ninguém para conduzi-lo e asfixiá-lo com suas consciências forjadas em bibliotecas, viu-se livre para ser povo. E é somente quando um povo permite encontrar a si mesmo, na horizontalidade de suas relações, em harmonia com as muitas redes que compõe a vida, é que se pode tomar as rédeas da história e escrever o próprio caminho.

Contudo, não posso negar que, se por um lado os garis nos deram um exemplo de organização e força, por outro deixaram bastante a desejar. Passada a euforia inicial da vitória, seria uma temeridade deixar de jogar no ventilador todas as questões que suscitam a greve do pessoal responsável por dar sumiço à nossa porcaria.

Disse, anteriormente, que os garis conseguiram tudo o que quiseram. Isso é ótimo porque revela a força e a coesão social do grupo, mas, de outro modo, acaba por deixar exposta uma outra realidade: os garis quiseram muito pouco. Mais do que isso: nós, enquanto sociedade, tendemos a querer muito pouco. Aprendemos – e tivemos muitos bons mestres nisso – a querer somente o necessário para que tudo permaneça da mesma forma. Domesticamos nossa vontade, de modo que, até em nossas vitórias, nos tornamos inofensivos.

E aqui, sim, creio que a greve dos garis, mesmo tendo sido encerrada com todas as reivindicações atendidas, tem muito mais a contribuir com a nossa construção enquanto povo autônomo, que sabe se colocar não apenas diante do colonizador estrangeiro, mas – antes de tudo – diante do colonizador que habita dentro de cada um de nós. Só por isso, na minha bastante limitada visão, o que os garis vieram fazer foi nos dar uma aula sobre liberdade. Afinal, fazendo o que queremos fazer nos tornamos aquilo que realmente queremos ser. Portanto, não há responsabilidade humana maior do que a que existe em relação àquilo que se deseja.

Nesse sentido, creio que nossos desejos devem ser sempre sondados pelo desejo humano maior de liberdade. Com isso, não se pode deixar passar essa rica oportunidade de refletirmos não apenas sobre o salário dos garis e suas péssimas condições de trabalho – aspectos de necessidade urgente, como já dito –, mas, acima de tudo – creio eu –, sobre a própria natureza do trabalho dos garis. E, para isso, temos que falar de lixo.

Além do genocídio e do estelionato, por exemplo, a produção de lixo constitui uma daquelas atividades que, dentre todas as espécies existentes na Terra, só existe entre os animais racionais. Não há lixo na natureza. É uma invenção 100% humana.

 Penso que nossa grande dificuldade em abordar essa questão reside no fato de que olhar para o nosso lixo implica em olhar para nós mesmos. Ali, na singeleza da sacola podre e fétida, encontramos os resíduos de todas as nossas demandas. Acho, do fundo do coração, que qualquer terapia que se pretenda séria deveria começar pela análise do lixo. Não somos muito diferentes dele. Tudo o que existe lá, existe em nós, com algumas pouquíssimas variações.

Entretanto, fomos ensinados desde cedo que lixo é coisa suja. Aliás, não se pode esquecer que o grande terror que se coloca nas crianças é que elas devem estudar para não se tornarem garis. É o tipo da coisa que quanto menos contato se tiver, melhor. Não é à toa que, em algum momento da história, resolvemos terceirizar (entregar ao governo, nesse caso) o descarte do nosso lixo. Exatamente como fazemos com nossas próprias fezes através do botãozinho mágico. Não fosse tão desonroso, creio delegaríamos a outros a higiene da nossa própria bunda!

O grande problema dessa história é que toda essa alienação implantada e consentida – não acredito em nenhuma espécie de vitimismo – toca na coluna vertebral daquilo que a gente aprendeu a chamar de civilização ocidental: a questão do consumo. A produção e acúmulo de lixo nas nossas cidades são, nesse sentido, como um grande câncer que vem para avisar ao nosso corpo social que o caminho que temos trilhado é um caminho de morte. Num contexto como esse, os profissionais da limpeza, que dão seu sangue e seu suor nas ruas da cidade, levando para bem longe o mau cheiro de nossas casas, acabam por fazer o papel daquele analgésico paliativo, que, apesar de ser fundamental para o paciente ter um pouco de alívio, é incapaz de curar a doença.

Só por isso, a conquista dos garis deve ser recebida, sim, com bastante alegria e servir de inspiração a todos nós, mas não se pode esquecer a boa e velha definição de sistema que o Coronel Nascimento, protagonista de Tropa de Elite II, nos deixou como legado: “o sistema é uma articulação de interesses escrotos”. Se tiver que cortar na própria carne para salvar o corpo, ele o fará sem muitos pudores e ainda transformará isso em capital político.

Assim, minha esperança – em relação a mim mesmo acima de tudo (aprendi outro dia com um amigo que a gente só fala com a gente mesmo) – é que a conquista dos garis nos leve a outro nível de desejo social. Que possamos, juntos, co-criarmos uma cidade(?) onde a liberdade humana tenha expressão legítima e todos os seres realizem suas potencialidades num ambiente propício à inventividade existencial.
             

sábado, 18 de janeiro de 2014

Valeu, Seu Chico!


Seu Chico era velho teimoso
Filho de Cacilda, ele dizia
Velho bom
De coração grande
Carregado no sarcasmo
Sarcasmo, aliás
Que me deixou como herança 

Seu Chico era mandingueiro
Cria da rua
Malandro do bicho
Do tipo que acha que todo mundo é otário

Seu Chico era figura rara
Mão aberta
Provedor por natureza
Generoso como nunca vi

Seu Chico era foda
Pro bem e pro mal
O que tinha de gente boa
Tinha de cabeça dura
Durante todo o tempo em que viveu sobre a terra 
Fez só o que quis

Seu Chico também não era santo
Era velho do tipo gente
Gente que dava jeito na vida
Não jogava capoeira
Mas de ginga dava aula

Homem de fé
Bicho rezador
Quase um feiticeiro

Camarada bom de ter encontrado na vida
Que além das muitas lembranças
Vai deixar enraizado em mim
Um pedaço dele mesmo

Vai em Paz, Seu Chico
Na roda da vida
A morte é só o começo

Que a luz do Astro maior
Ilumine os teus caminhos
E que as alturas te recebam com festa

Por aqui, fica a saudade
E a gratidão eterna 
Valeu, Seu Chico!





sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

As merdas que andei falando (e ouvindo) em 2013



Compromisso, no verão, evapora
O calor é urgente!

A mangueira cheia de manga
E nego se matando de trabalhar

O real é suave – ainda que intenso.

Tá aí uma coisa gostosa: Haxixe!

Telejornalismo: Quanta babaquice!

A Realidade última é milagre, ponto final.

Vida: Um eterno início

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Inferno: nasce na mente, se cria no olho e vaza pela boca.

Chatice militante: desespero fantasiado de moral.

Gosto de quem me faz ler sorrindo.

Andando por aí, descobri que a ortodoxia é a prisão dos que escolheram colocar suas vidas sobre os trilhos do medo. Obviamente, não falo de “uma” ortodoxia, mas do “desejo de ortodoxia”, já que muitos grupos diferentes – e até contraditórios entre si – a reivindicam. As expressões de ódio e o sectarismo provenientes de todos eles – seja na ciência, na religião ou no futebol – são apenas reflexos de suas mentes encagaçadas.  

Pra morrer basta estar morto. O vivo vive.

Milagre não é mágica, é Vida. E Vida é caminho. Um caminho mágico...

Realizar nossa responsabilidade sobre a terra é uma questão de vida ou morte. E o Deus dos vivos certamente nos ajudará.

"Quando alguém deseja a saúde, é preciso antes lhe perguntar se está pronto a suprimir as causas de suas doenças. Só então é possível ajudá-lo." Hipócrates

– Rodrigo, você pode ir à farmácia buscar esse remédio?
– Posso sim, vô!
Conclusão: Vivo num tempo em que Rivotril – a macoinha consumida por gente de bem, que não se mistura com vagabundo nem com viciado, e produzida legalmente pelos nossos anjos da guarda da indústria farmacêutica – custa 10 conto! A cartela com 30! (preço de dar inveja a crackudo). Além disso, as grandes farmácias se transformaram em points bizarros, com cafés que servem vários quitutes, num ambiente da maior descontração. O sujeito já come sua coxinha ali, na sequência dropa um Omeprazol, e, de quebra, ainda faz uma social, pega alguém, dá uma zoada. Todos circulam livremente, não tem PM querendo prender ninguém, nenhum gesto de reprovação, preconceitos, nada! Tranquilão! Tudo sem alteração, transcorrendo na mais perfeita normalidade... Só faltou o serviço funerário pra fechar o ciclo. Uma boa oportunidade pros empreendedores de plantão. Se fizer a parada direitinho, uns caixõezinhos maneiros, bem transados, com design moderno e arrojado, vende que nem água!
Enfim, tá tudo aí... na nossa cara! Quem tem ouvido para ouvir, ouça!

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão" Jesus Cristo

Pra quem não tá acostumado a morrer, a morte deve ser realmente uma experiência assustadora!

De fato, nada mais distante de Deus do que uma fé domesticada com ares de sabedoria humana. O crístico é escândalo do início ao fim. Ou, como diria um camarada: é sem corrimão, parceiro!

Chegando ao final da jornada acadêmica, reafirmo uma antiga certeza: quanta babaquice é a academia!

A pós-modernidade tem várias babaquices, é verdade. Mas, o grande temor que se tem diante dela – especialmente nos círculos mais conservadores – é, também, um forte indicador de que ela traz consigo muita coisa necessária.

Aproveitar o tempo é tudo o que se pode fazer separado de Deus. NEle a simplicidade é tão absoluta, que já não há tempo: apenas o eterno instante.

Definitivamente: mudar de vida pouquíssimo tem a ver com mudar de ideia. A vida é, certamente, algo bem mais sério.

O “adulto” é – certamente – uma das construções sociais mais arrogantes que já se inventou.

“Falar do fim da transcendência no século XX é falar de um cachorro morto que late pra caramba” Remo Filho

Nada melhor para justificar nossos auto-enganos do que identificar a Verdade à ideia ocidental de coerência. Não havendo, obviamente, a possibilidade da coerência total, sentimo-nos autorizados não só a fazer nossas negociatas existenciais, como, nos casos mais graves – quando temos mais medo da destruição do ego –, a negar a própria existência da Verdade. Impossível de ser apreendida pela via da jogatina lógica, essa, por sua vez, encontra-se – de maneira bem mais simples – muito mais próxima de uma atitude existencial que se responsabiliza a cada instante pelo eu em sua condição presente. Condição que – pelo menos por ora permanecendo em um misto de tempo e eternidade – constitui-se em um caminho chamado Vida: o lugar da singularidade máxima, onde o indivíduo se encontra ele mesmo – sozinho – perante Deus. O lugar onde tudo acontece. No fio da navalha...

O desejo de “compartilhar” é, muitas vezes, expressão do desespero proveniente da flagrante fragmentação de quem não vive o que ensina. O verdadeiro compartilhar não é um fim, mas a consequência natural – e, obviamente, gratuita – de uma vida vivida na Verdade.

Ensinar é viver com radicalidade
Ensinar é Viver

Desconfie de todo ensinamento relativo à vida que só pode chegar até você mediante dinheiro. E não, o mundo não vai mudar através do comércio de informações! Ainda que as informações sejam rosas e usem brincos de coração.

Alguém que depende de um sistema para sobreviver, ainda que o critique, no fundo fará de tudo para preservá-lo. Só por isso é patético querer ensinar os outros a resolver os problemas do mundo sem, antes, ter resolvido a própria vida.

“A vida assusta. Vivemos numa sociedade biofóbica, numa cultura biofóbica, que tem medo da vida, que expulsa a vida de perto.” Helena Maltez

“Distrair-se é trair a si mesmo. É dividir-se” Ana Branco

Na dialética da fé, quanto mais se transcende, mais imanente Deus se torna. Não por acaso, Cristo – o Deus-Homem cuja existência não depende de nenhuma mediação humana para ser comunicada – é o paradoxo perfeito e ápice da revelação divina. Só por isso, ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, só posso encontrar o Emanuel – esse Deus conosco – na simplicidade assustadora da terra.

Assim como não se pode confundir um capitão de fragata com um cafetão de gravata, também não se pode confundir valores eternos com valores dos séculos passados. O nome disso não é fé, é conservadorismo.

Numa sociedade que se transformou numa grande loja de departamentos, gerar emprego e acreditar na necessidade de se ter um é o que há de mais importante em termos de valores.

Inconsequência é medir a vida!

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“Um mundo de crescentes demandas não é apenas um mal – só pode ser classificado como um inferno.” Ivan Illich

Se as ideias nunca foram capazes de mudar o mundo, quem dirá o comércio de ideias.

“Não existe ato de maior irresponsabilidade do que dar aula” Remo Filho

O inferno é, certamente, um lugar com muitas obrigações a se cumprir.

 “Mas o pior inimigo que podes encontrar serás sempre tu mesmo; tu mesmo estás à tua espreita em cavernas e florestas.
Solitário, percorres o caminho no rumo de ti mesmo! E teu caminho passa por ti mesmo e pelos teus sete demônios!
Herege, serás para ti mesmo, e feiticeiro e vidente e doido e céptico e ímpio e celerado.
Arder nas tuas próprias chamas, deverás querer; como pretenderias renovar-se se antes não te tornasses cinza!” Nietzsche.

"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." Clarice Lispector

A revolução acontecendo e o coração de sacanagenzinha.

A vida – em toda a sua acontecência – não respeita nem mesmo consciência. E como eu gosto!

Só no reino do amor há liberdade. Ideias se vão e fica a verdade: unidade.

Nunca mais acredito em minhas ideias. E, dessa vez, é sério.

“Chega aí, rapidinho” – É o que a vida diz quando, pelo caminho, nos encontra cheios de certezinhas.

Meu corpo é o meu mundo.

“A toxicidade dos segredos pode ser maior do que a insensibilidade dos incultos” Nilton Bonder

“Sem o aval da vida nosso desejo não vai longe e não se transforma em bênção” Nilton Bonder

“Ai do profeta que não vê o que sua jumenta percebe!” Nilton Bonder

“Trabalhamos e engendramos estruturas muito sofisticadas para nos oferecer benefícios quando elas contêm em sim sofisticadas formas de nos prejudicar. E não é apenas roubo material que sofremos. As hierarquias nos roubam a paz porque elas pressupõem políticas e espertezas. Há muita malícia em todas as formas de hierarquia porque sub-reptícia a elas está a tentativa de subvertê-las por parte de alguns e também a de mantê-las a qualquer custo por parte de outros. Nada é mais roubado do que a paz nas estruturas piramidais.” Nilton Bonder

“A diferença entre os prazeres de quem é um fim e de quem é um meio determina formas muito diversas de existência. Enquanto o primeiro se pauta por gratificações constantes e o temor máximo de que a morte as impossibilite, o segundo busca a serventia e teme uma vida que seja inócua e que não cumpra sua função. O desejo clássico quer receber e é temente à morte; o desejo quântico quer doar e é temente à vida.” Nilton Bonder

“Estar em paz com não produzir pode significar grande maestria sobre si e pode representar um serviço de dimensões impressionantes.” Nilton Bonder

“Quem precisa de ‘segredos’ está tentando burlar a vida, corromper a estrutura de bênçãos desse universo.” Nilton Bonder

Quando quero fazer, faço. Quando não quero, (me) debato.

Sou mais quando faço menos.

Sabe aquela sensação de quando você está quase se cagando, chega na porta de casa e pensa: fodeu, não vai dar mais!? Então...me sinto assim a dois meses de me formar.

Quem teme, repele. Quem ama...ama.

Quanto mais indivíduo me sinto, mais me sinto parte do todo. Já a pretensão de universalidade só me leva a segregar.

A percepção de mim mesmo como indivíduo me conduz a sensação de universalidade. Já a percepção de mim mesmo como um ser universal, me leva a um individualismo/tribalismo/grupismo segregador do caralho. É...é assim. A vida é esse lindo paradoxo: tudo que você tenta pegar, corre! Quando solta, você alcança. E tudo isso sem barganha! Agora vai, e dorme com um barulho desses.

“Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento… a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.” Rubem Alves


A feira da Glória é melhor que a Lapa.

Nas minhas muitas buscas pela vida, diversas vezes tive a sensação de ter encontrado o caminho. Hoje sei que não só não encontrei o caminho, mas que o caminho não é encontrável. A vida é o caminho. Um caminho com muitas portas e janelas – incríveis, diga-se de passagem – onde, diversas vezes, nós é que somos encontrados. Leloup estava certo: o contrário do aberto é o inferno. A vida é abertura. Constante. Calemo-nos.

Vejo Deus em lugares que até ele duvidaria.

“Nem só de pão viverá o homem” Jesus Cristo

“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo;” São Paulo

Gosto dos mistérios. Sempre gostei. Mas nisso Paulo estava certo: ainda que eu fale a língua dos anjos e dos homens, se não tiver amor, nada serei. É ainda mais simples que o simples.

O lugar da vida é onde minha potência se realiza. Seja lá onde isso for.

Uma vida que me leva ao isolamento é uma vida que se perdeu pelo caminho. Anjos também distraem e espiritualidade também serve de entretenimento. O verdadeiro amor só se dá na assombrosa realidade da convivência em igualdade.

A facilidade que temos em nos distrair pelo caminho é tanta que até a simplicidade transformamos em mistério.

Nossas muitas opiniões acerca da vida e do mundo não passam de desabafos acerca de nós mesmos.
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Ao final do curso de filosofia, percebi que minhas ideias, muito mais do que explicar o mundo e as coisas, são a melhor fonte que tenho para me conhecer.

A liberdade é um caminho pessoal e intransferível.

A mente é o corpo. Fodeu!

Cada um tem a vida que escolhe. Enquanto uns matam um leão por dia, eu tô comendo uma jaca por dia. E foda-se!

"Parcamente alimentado e de coisas inocentes, pronto ao vôo e impaciente por voar, por voar longe - tal é o meu modo de ser; como não deveria haver nele algo do modo de ser das aves!" Nietzsche

A principal característica do espírito que busca a conquista, manutenção ou qualquer outra relação promíscua com o poder é a desqualificação do pensamento divergente, identificando-o com a noção – criada por ele mesmo – de desordem. 

A história da filosofia poderia, tranquilamente, se chamar história da arrogância humana.

Velhinho passando na porta da igreja é surpreendido por aquela gostosa e, todo embananado, não sabe se faz o sinal da cruz ou olha a bunda da moça. Na dúvida, faz os dois. Um salve à natureza humana!

Só dá maluco. O que varia é a forma como administramos nossa loucura.

Deus não conhece bem e mal, nem certo e errado. Quem caiu nessa foi a gente.

Exatamente como eu desconfiava: a sensação de abandonar a faculdade é MUITO melhor do que a de se formar.

Substituir a identificação do ser ao pensar, predominante na modernidade, pela identificação do ser ao fazer - um fazer de cunho estritamente utilitário, ainda por cima - não me parece ser um bom caminho. A realidade segue abarcando as duas dimensões. E muitas outras.

Reduzir o fazer ao fazer com as mãos é como reduzir o pensar ao pensar com o intelecto. Duas faces da mesma moeda.

A vida não se deixa engaiolar. O vivo é dinâmico.

Discussão ambiental é algo que se começa pelo prato. Se eu não quiser me tornar ridículo.

Seguir diretrizes alimentares ditadas por outrem nada tem a ver com comer vivo. Comer vivo é – antes de tudo – uma forma de relacionar-se com o ambiente no âmbito da graça.

Já há algum tempo, optei por não comer carne. Mas, identificar a perversidade do SISTEMA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS ao ato de COMER ANIMAIS não me parece honesto. Especialmente, diante de percepções tão antropomórficas da natureza. Aliás, nada que tenha o moralismo como resultado me parece uma boa opção. Portanto, alegremo-nos e transbordemos nossa felicidade deixando o próximo em paz em suas escolhas. De outro modo, acho que nem a nós mesmos conseguiremos convencer de que estamos tão bem em nossos caminhos.

Existir é impressionante.

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A cidade não é simplesmente uma maneira de configuração do espaço. É um modo de vida. Um modo de vida incompatível com a vida e com a liberdade humana.

Andando por aí, percebi que, ironicamente, o tipo que tende a se relacionar com a natureza antropomorficamente, especialmente "humanizando" animais, geralmente tende também a ter grandes dificuldades de relacionamento com gente. Uma esquizofrenia que leva a tratar animais como irmãos e os irmãos a partir de uma perspectiva existencial de superiorioridade.
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